Já não vejo alguém, vejo coisa. Me
vejo como coisa
Me coisifiquei, bonito verbo
tornou-se entre nós:
Eu coiso
Tu coisas
Ele coisa
Nós coisamos
Vós Coisais
Eles Coisam
E todos viram coisas
Que seja rápido para o meu
prazer, sem compromisso, assim não me apego nem você.
Não que seja egoísmo, mas é
apenas proteção. Coisificar-me é a proteção contra a tristeza.
Assim eu te uso e tu me usas, nos
usamos sempre que quisermos.
Mas não jure nada. Pra sempre é
muito tempo e nunca é muita coisa.
Não se preocupe, não vou me
perder. Já me perdi no momento em que me coisifiquei.
Pra onde vou não sei, estou indo
e se quiser me use desde que eu possa te usar também. Vamos compartilhar o nosso
uso, tem que ser público, não seja egoísta, deixe-me te usar também.
Quando precisar me ligue, mas
quando não precisar me esqueça, na mesma intensidade em que me procurou.
Faço o mesmo sempre que preciso.
E se um dia eu me enxergar coisado?
Vou sofrer? Vou chorar?
Esqueci. Coisa não enxerga, não
sofre, não chora e não se percebe. Coisa é coisa e ponto final.
Ufa, que coisa né?