Segunda-feira

QUE COISA NÉ?


Já não vejo alguém, vejo coisa. Me vejo como coisa
Me coisifiquei, bonito verbo tornou-se entre nós:
Eu coiso
Tu coisas
Ele coisa
Nós coisamos
Vós Coisais
Eles Coisam
E todos viram coisas

Que seja rápido para o meu prazer, sem compromisso, assim não me apego nem você.
Não que seja egoísmo, mas é apenas proteção. Coisificar-me é a proteção contra a tristeza.
Assim eu te uso e tu me usas, nos usamos sempre que quisermos.
Mas não jure nada. Pra sempre é muito tempo e nunca é muita coisa.

Não se preocupe, não vou me perder. Já me perdi no momento em que me coisifiquei.
Pra onde vou não sei, estou indo e se quiser me use desde que eu possa te usar também. Vamos compartilhar o nosso uso, tem que ser público, não seja egoísta, deixe-me te usar também.
Quando precisar me ligue, mas quando não precisar me esqueça, na mesma intensidade em que me procurou.
Faço o mesmo sempre que preciso.

E se um dia eu me enxergar coisado? Vou sofrer? Vou chorar?
Esqueci. Coisa não enxerga, não sofre, não chora e não se percebe. Coisa é coisa e ponto final.
Ufa, que coisa né?

Sábado

TODOS PRECISAM DE UMA CASA

Casa, casebre, céu. Não importa o nome que se dá
Habitação perfeita, mesmo sem muro, lugar dos sonhos
Ali tem sombra, água fresca e muito amor
Risadas e conversas. Sentido e significado, longe de lá existe o vazio
Ir e vir, transitoriedade constante. Parar lá é sentir o eterno
Todos precisam de um lar construído com quem se ama
Amar é ter um lar, mesmo que não tenha teto, não tenha nada
Sucumbem as construções, o amor permanece. Lugar seguro para morar.

Quinta-feira

De Constantino a Roberto Marinho: a globalização do mundo gospel

A história é cíclica, ou é uma repetição muito similar de anos que já se passaram. Quero já avisar aos espirituais que não estou querendo julgar o coração de ninguém, nem tenho esse poder e nem quero ter, mas apenas faço uma leitura comparativa com o que já passamos na história.

Século IV, Roma estava a beira de um colapso, o imperador Constantino não encontrava mais saídas para fortalecer seu império. Do outro lado um movimento clandestino e subversivo crescia cada vez mais nas catacumbas do império, era o cristianismo com os primeiros cristãos que se encontravam diariamente escondidos como traidores do império.

Muitos alegavam ser o cristianismo o princípio da ruína do império, todavia, Constantino encontrou nesse movimento uma possibilidade de reorganizar e unificar o império. O cristianismo tornou-se a religião do império, aqui temos um problema histórico: essa ordem do imperador foi um mero golpe político ou realmente ele se converteu a mensagem de Cristo?

Cada historiador tem sua posição, mas isso é hermenêutica pessoal, não sabemos ao certo a resposta correta. O fato claro é que essa ação foi uma boa para o império e um tiro no pé para o cristianismo, que passou de subversivo e revolucionário para um movimento burocrático e ditador. Depois disso o que se seguiu foram anos de enriquecimento, opressão, guerras "santas" e pura política. A libertação veio mil anos depois e mesmo assim ainda carregamos marcas profundas da decisão tomada por Constantino.

A história passa, os anos vem e vão e olha aí que bacana gente, a rede Globo patrocinou um show gospel de final de ano com os "melhores" cantores, ou os cantores mais pops do momento da nossa música gospel brasileira. O curioso é o momento dessa emissora, pois passa por uma crise de audiência diante de uma concorrente sorrateira que lhe vem assolando, coisa que não acontecia a tempos. Realmente, diante da crise somos capazes de fazer qualquer negócio até misturar macumba com Jesus, Maria e José.

A situação é muito similar ao século quatro de Constantino, minha dúvida é: será que a direção da rede Globo está apenas realizando uma manobra comercial e política, ou será que eles estão se convertendo ao evangelho de Jesus Cristo?

Como parar o Tempo...

O mundo emudece, silêncio...
Tudo parece parado, estático
Não se vê movimento algum além das palpitações do coração
Não se ouve som, além das fracas e ansiosas respirações
A mão treme, a boca fica seca e o ar pesa
O corpo fixa ao chão sem movimentação alguma
O vento corta o rosto sussurrando que chegou a hora
Então o tempo pára.
Têm-se os segundos mais eternos da vida
Os olhares se cruzam, se perdem e voltam a se cruzar
Hesitação, prazer e frio na barriga
Há uma aproximação e uma pausa
Outra aproximação seguida de pausa
Um último olhar, expressando que já foram longe demais para voltar
Então nessa hora, nesse segundo eterno
Eles se beijam.